
Você já percebeu o quanto crescemos ? Por algum motivo parou para pensar o quanto amadurecemos? Pois é! Nós crescemos, evoluímos , criamos novos laços , nos mudamos. Você não é mais a pessoa que me abraçava quando eu precisava. Você , por algum motivo, criou essa barreira entre nós. Não querido! Eu não quero jogar toda culpa em você. Sei que eu fui responsável por isso. Nós fomos e somos culpados pela parede de gelo que se formou entre nós dois.
Você escolheu outros caminhos, trocou até aquele telefone preto velho e arranhado por algo mais novo, mais digno do homem que se tornou. Mudou o aparelho, mas não mudou o número. Às vezes, por um momento, eu acho que essa mudança toda, essa coisa que a sociedade chama de “amadurecer”, foi culpa minha. Sempre lhe cobrei menos infantilidade com meus alertas e puxões de orelha “ Não seja tão bobo” , “leve as coisas a sério” , “encare a realidade”, “Cresça”, acho que você atendeu aos meus pedidos.
Eu reconheço que também amadureci , não acho que tenha sido um amadurecimento, mas um envelhecimento. Me tornei mais exigente, mais confiante, mais velha. Tudo que faço desde o nosso último encontro tem uma meta, eu não faço mais nada só por fazer. Te juro! Não sei o que houve. Eu não faço mais promessas que não poderei cumprir, aquela que fizemos já foi o suficiente e eu ainda tenho as sua caligrafia no guardanapo “ EU PROMETO” .
Quando somos jovens prometemos muitas coisas, coisas que nós não sabemos, mas que não vão se cumprir. Eu prometi te ligar quando desse vontade e você prometeu atender, mas o nosso orgulho de pessoas “sábias” não nos deixa.
Hoje depois de tanto tempo, de tanto amadurecimento, eu te olho de longe... Não reconheço. Eu o vejo com aquele olhar de homem maduro que acha que está fazendo um bem para si. Você não sorri como antes , não age por impulso, não canta mais suas bandas favoritas, não toca nem na sua guitarra que, carinhosamente, chamávamos de June Carter. Você e eu sabemos que fazemos parte desse amadurecimento um do outro , mas não sabemos se é uma coisa boa ou ruim. Aquelas velhas crianças tolas que fomos ainda estão aqui dentro! Eu vejo isso , não ... Eu sinto, mas o problema é que já é tarde e nós sempre soubemos que crianças têm que ir pra cama cedo.